sexta-feira, 27 de julho de 2012

POR DAVI CALISTO : UM DIA QUANDO EU MORRER, E O ÍNTIMO DO SER







Um dia quando eu morrer

Alguém chorará por mim

Porque eu levei a vida

Aguando o meu jardim

Para que as suas flores

Podesse enfeitar o meu fim



Essa vida é mesmo assim

O tempo é sem piedade

Morrer moço ninguém quer

Nem aumentar a idade

Ser velho é experiência

Que não trás felicidade



Já vivi mais da metade

Do que me foi reservado

Porque se chegar aos cem

É uma temeridade

Porque a velhice trás

A perca da liberdade



A idade é sem bondade

Porque o homem atrofia

Acaba com seus desejos

Diminui a alegria

A mocidade é a luz

Que a nossa alma irradia



Na luta do dia a dia

Vou buscando meu espaço

A cada ano que somo

Eu aumento meu cansaço

E lá no livro da vida

Deus vai apagando um traço

Pergunto a Deus o que eu faço





Mas ele não dá respostas

Sem saber o que fazer

Ajoelho-me de mãos postas

Prá que o peso dos anos

Diminua em minhas costas



Escuto algumas propostas

Dos meus filhos e dos meus netos

Porque a nossa família

São os nossos prediletos

Muito embora até eles

Não mereçam meus afetos



No mundo dos prediletos

Eu queria ser eterno

Viver com as regalias

Que tem o mundo moderno

Mesmo sendo um pecador

Não ter que ir prá o inferno



Ou no livro ou no caderno

Deus o meu nome escrevesse

Pedro fosse complacente

Mesmo se eu não merecesse

E os erros que eu cometi

O Pai eterno esquecesse



Sem mostrar nem interesse

No mundo espiritual

Queria viver aqui

Nesse mundo virtual

Por entender que a morte

Só representa o final



Da vida ela é rival

Só vive a vida emboscando

Quem já passou dos oitenta

Vive por ela esperando

A vida é locomotiva

Que a morte está no comando








O ÍNTIMO DO SER‏


Por isso estou esperando

Esse encontro tenebroso

Como um defensor da vida

Procuro ser talentoso

Ser bom pai ser bom amigo

Ser bom filho e bom esposo



Assim como um cão raivoso

Com a morte vou lutar

Quando ela me escolher

Vai ser difícil levar

Porque a morte não gosta

De quem vive para amar




Somos apenas instrumentos
No mundo das ilusões
Vaidade é passageira
E a alma é a caveira
Comandando as emoções
Os sonhos são diversões
Que a matéria conforta
O ego é massageado
E o sonho realizado
É quem abriu essa porta
A matéria é quem conforta
O espírito de quem chora
A esperança é consolo
E o vaidoso é um tolo
Que o sentimento explora
Quem tem sentimento chora
As esperanças perdidas
O futuro é abstrato
O presente é o retrato
De nossas emoções vividas
As famílias esquecidas
No vigor da juventude
A velhice é o terror
A mágoa e falta de amor
Desprovida de virtude
Tem que haver atitude
Para que haja a ação
No ódio está um entrave
E o sentimento é a chave
De abrir o coração
O ÍNTIMO DO SER
ESCREVEU: DAVI CALISTO NETO


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