Aproximadamente 800 novos veículos passam a circular mensalmente em Mossoró, a maioria é moto
Nos últimos anos, o morador de Mossoró passou a conviver diariamente com a falta de estacionamentos, tráfego congestionado, risco maior de acidentes.
A causa desses e de outros problemas está ligada ao crescimento da frota. Cerca de 800 novos veículos passam a circular na cidade a cada mês, segundo a Gerência Executiva de Trânsito (Getran), superlotando ruas, estressando condutores, arriscando pedestres, ciclistas, motociclistas, enfim, aumentando o risco de acidentes.
E são os acidentes que mais preocupam autoridades médicas e de trânsito, sobretudo envolvendo condutores de motos. Grande parte dos atendimentos de urgência e emergência no Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), principalmente nos finais de semana, são de vítimas de acidentes com motocicletas.
Segundo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), cerca de 80% dos chamados para acidentes de trânsito envolvem motociclistas. O coordenador do Samu em Mossoró, Luís Gomes, diz não ter como detalhar números, pois as ocorrências são registradas como acidentes, e não separadamente entre carros e motos.
Os acidentes quase sempre são queda, colisão e atropelamento de pedestres por motocicleta. Segundo o Samu, o número de acidentes vem aumentando em Mossoró nos últimos anos. A estatística, entretanto, poderia ser menor se houvesse mais respeito às leis de trânsito e uma postura mais defensiva de condutores.
É que a maioria dos acidentes envolvendo motociclistas é provocada por imprudência, como alta velocidade e ultrapassagens perigosas, muitas vezes proibidas. Ou seja, grande parte das ocorrências decorre da má condução da motocicleta, situação agravada pela infraestrutura rodoviária, como ruas estreitas e mal sinalizadas.
Outro fator é que existem cada vez mais motos em Mossoró. Estabilização econômica, aumento da oferta de crédito e da renda, entre outros, propiciaram que muitos mossoroenses comprassem motocicleta, que, além da facilidade de compra, é mais barata de manter (combustível, peças) em comparação ao automóvel.
Assim, Mossoró, antes conhecida como a terra das bicicletas, tornou-se a cidade das motos. Isso é facilmente perceptível nas ruas, nos estacionamentos abarrotados de motocicletas, nos semáforos. E as estatísticas do Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Norte (Detran/RN) também comprovam essa assertiva.
O número de motos é bem superior ao de automóveis em Mossoró. Até terça-feira (11), havia 52.686 motos cadastradas no Detran, sendo 42.067 motocicletas e 10.619 motonetas (nas quais o condutor condiciona pernas para frente do tronco, sobre plataforma, em vez de para os lados, como ocorre nas motocicletas).
Somente as motocicletas correspondem a 14,41% do total da frota, ante 10,22% dos automóveis, que somam 39.141 unidades contra 52.686 motos. Ainda segundo o Detran, a frota de Mossoró ultrapassou a marca de 100 mil veículos: está com 106.475 unidades, equivalente a 12,64% do total da frota do Estado.
Gerência Executiva de Trânsito alerta que melhoria também depende das ações de condutores e pedestres
A Gerência Executiva de Trânsito de Mossoró (Getran) considera que a melhoria do trânsito não depende apenas das autoridades, mas, sobretudo, dos condutores e pedestres. Segundo o titular da Getran, Jaime Valderrama, o órgão faz a parte dele, com ações contínuas, e cabe à população também fazer a dela.
Como exemplo, diz que todo o centro da cidade é sinalizado, mas ainda há ocorrência de acidentes por falta de respeito à sinalização. "Os agentes não podem estar em toda a esquina, daí a importância da consciência do cidadão", observa, acrescentando que o trânsito de Mossoró, hoje, não comporta mais antigas práticas.
Segundo ele, a série de ações para mudar o comportamento de condutores e pedestres, como disciplina de estacionamentos (divisão para carros e motos); modernização e novos pontos de semáforos; sinalização horizontal e vertical; minirrotatórias; faixa rápida, com proibição de estacionamento nas ruas José Damião, João da Escóssia e Avenida Diocesana para maior fluidez ao tráfego.
"Também estamos preparando licitação para ampliar o transporte coletivo, porque, com transporte público eficiente, as pessoas deixarão mais de usar carros", frisa Valderrama, destacando o projeto da zona azul, com estacionamentos rotativos para evitar que carros permaneçam o dia todo estacionados.
Outro ponto fundamental por ele destacado é educação de trânsito, feita com palestras em escolas e empresas, campanhas e blitze educativas. "São ações contínuas, com quatro pontos principais: estatística, engenharia, educação e fiscalização. Estamos no caminho certo, e o trânsito de Mossoró está longe de ser caótico", conclui.
OMS alerta para aumento de acidentes com motocicletas
O aumento do número de acidentes de trânsito envolvendo motocicletas no Brasil preocupa não só os órgãos de trânsito. A Organização Mundial da Saúde (OMS) está convencida de que os motociclistas são os principais responsáveis pelos acidentes.
"Consideramos que 70% das causas [de acidente] são devido a fatores humanos. E, agora, temos o problema das motocicletas: com o aumento da frota de motocicletas aumentou muito o número de acidentes devido a má condução do veículo", disse Mercedes Maldonado, representante da OMS no Brasil, à Agência Brasil.
Segundo o presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Ailton Brasiliense, as maiores vítimas de acidentes de trânsito no Brasil ainda são os pedestres, mas os motociclistas já ocupam a segunda posição.
"Metade das pessoas que morrem anualmente é pedestre. Em segundo lugar, e crescendo enormemente, estão os motociclistas. Há também uma questão que envolve o excesso de velocidade com ou sem álcool e a da má habilitação", disse ele.
Já o presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Mauro Ribeiro, alerta: "temos lugares no país onde 50% dos óbitos são de motociclistas".
Segundo Wilson Kenji Yasuda, coordenador da Comissão de Segurança Viária da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), uma pesquisa recente feita com acidentados no trânsito revelou que 70% dos motociclistas envolvidos em acidentes não tinham carteira de habilitação. (Com informações da Agência Brasil).
Nenhum comentário:
Postar um comentário