sábado, 18 de julho de 2015

Na TV, Cunha se diz pautado pela sociedade e lista projetos aprovados

Presidente da Câmara faz pronunciamento de 5min em rede nacional.
Mais cedo, ele anunciou rompimento com governo e disse que é oposição.

Do G1, em Brasília
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), fez pronunciamento de cinco minutos na noite desta sexta-feira (17) em rede nacional de televisão e rádio. Ao fazer balanço do trabalho do Legislativo, Cunha listou projetos aprovados, disse que "as principais demandas da sociedade é que estão pautando o nosso trabalho", que "nunca a Câmara trabalhou tanto como agora" e afirmou que a Casa é "mais independente" e "com iniciativa". Veja o vídeo acima.

O pronunciamento foi gravado no domingo (12), segundo sua assessoria.
Na quinta (16), um empresário acusou Cunha de lhe pedir propina (leia: "Delator relata pedido de propina de Cunha, que o desafia a provar"). Mais cedo nesta sexta (17), Cunha anunciou seu rompimento político com o governo Dilma Rousseff e disse que fará oposição à gestão petista. O parlamentar acusa o Planalto de orquestrar denúncias contra ele.

Cunha disse, durante o pronunciamento, que o Brasil vive uma crise "com a qual todos sofrem e que o governo busca enfrentar com medidas de ajuste". "A Câmara tem avaliado essas medidas com critério, atenta à governabilidade do País, que é nosso dever assegurar. Mas também às conquistas históricas do nosso povo, que é nosso compromisso preservar", disse.
“Temos dado respostas mais rápidas para problemas urgentes. Até porque a população não aguenta esperar”, completou.

O presidente da Câmara abriu sua fala citando a inauguração de Brasília, em 1960, para ser a nova capital "de uma república moderna e dinâmica, onde os três poderes da Nação conviveriam em harmonia e equilíbrio". Em seguida, Cunha citou a Praça dos Três Poderes, onde ficam as sedes do Executivo, do Judiciário e do Legislativo. Ao citar o Congresso Nacional, ele disse que a casa do Legislativo é o "representante mais direto da população".
Cunha lembrou que, quatro anos após a inauguração de Brasília, o Brasil se tornou uma ditadura militar (1964-1985) e, em seguida, os poderes voltaram a ser independentes.

“Só recentemente o Judiciário e o Legislativo recuperam a sua  independência e o equilíbrio entre os poderes. A Câmara independente de hoje é um poder com muito mais iniciativa, conectado com os interesses da população. Hoje as principais demandas da população é que estão pautando o nosso trabalho”, disse.

Durante o pronunciamento, o presidente da Câmara enumerou projetos que foram votados e discutidos na Câmara. Entre eles:
 - Redução da maioridade penal
- Projeto que transforma assassinato de policiais e familiares deles em crime hediondo
- Projeto que regulamenta PEC das Domésticas
- Projeto regulamenta direito dos trabalhadores terceirizados
- Projeto que altera a correção do FGTS
- Alteração do custo da dívida dos estados e municípios
- Reforma política
- PEC da Bengala


 - Marco Regulatório da Biodiversidade

Confira a íntegra do pronunciamento:
"Boa noite, brasileiras e brasileiros. Em 1960, Brasília foi inaugurada para ser a nova capital de uma república moderna e dinâmica, onde os três poderes da Nação conviveriam em harmonia e equilíbrio, como está simbolizado aqui, na Praça dos Três Poderes: o Palácio do Planalto, sede do Executivo, o Supremo, sede máxima do Judiciário, e ao centro, o Congresso, casa do Legislativo e representante mais direto da população.


Mas quatro anos depois, infelizmente, o Brasil tornou-se uma ditadura e a independência dos poderes acabou. E só recentemente, o Judiciário e o Legislativo recuperam sua independência e o equilíbrio entre os poderes.

A Câmara independente, de hoje, é um poder com muito mais iniciativa, conectado com as necessidades da população. Hoje, as principais demandas da sociedade é que estão pautando o nosso trabalho. E temos dado respostas mais rápidas para problemas urgentes.
Até porque a população não aguenta mais esperar.
Na segurança, aprovamos projetos que combatem a impunidade. Pois ela é que estimula o crime e amedronta a população.
Com coragem e maturidade debatemos a redução da maioridade penal e aprovamos o projeto com 323 votos, ampla maioria.
Dentre outros, também foi apro
vado e já virou lei, o projeto que transforma o assassinato de policiais e seus parentes em crime hediondo.
Os interesses do trabalhador e de estados e municípios também estão sendo pauta nossa. Concluímos a regulamentação da proposta que tratou dos novos direitos trabalhistas das empregadas domésticas. Uma vitória que beneficia pessoas simples e batalhadoras.
Colocamos em votação o projeto que regulamenta os direitos do trabalhador terceirizado, com o apoio de grande parte das centrais sindicais.

Votamos o fim do fator previdenciário, e buscamos uma nova forma de cálculo pra aposentadoria, em benefício do trabalhador e já incorporada pelo Executivo.
Já começamos a votar o projeto que aumenta a correção do seu dinheiro no FGTS.
Para estados e municípios, aprovamos a redução do custo de suas dívidas. E estamos debatendo um novo pacto federativo, para que mais recursos cheguem até eles, que cuidam do que é mais importante pra população - a saúde, a educação, a segurança, o seu dia a dia.
Trouxemos ao debate nacional mais um tema importante e urgente pra vida do País: a reforma política. Entre as medidas já aprovadas estão o fim da reeleição, o limite de gastos, e reduzimos o tempo de campanha eleitoral. E criamos o comprovante de voto impresso em papel, garantindo que o seu voto seja respeitado e a eleição mais transparente.
Aprovamos a apelidada PEC da Bengala, que eleva de 70 para 75 anos a idade para aposentadoria dos servidores públicos.
Aprovamos o marco regulatório da biodiversidade, um inédito instrumento de controle ambiental.

Criamos a Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência. Pessoas especiais que nunca tiveram do Legislativo a atenção especial que merecem ter.
Ainda há muito por fazer, mas agora estamos avançando, votando temas que a sociedade aguarda há anos e, em alguns casos, há décadas. Nunca a Câmara trabalhou tanto como agora.
Você encontra este balanço completo do trabalho dos deputados no site da Câmara. Vale a pena acessar e acompanhar.

Hoje o Brasil vive uma crise. Crise com a qual todos sofrem e que o governo busca enfrentar com medidas de ajuste.
A Câmara tem avaliado essas medidas com critério. Atenta à governabilidade do País, que é nosso dever assegurar. Mas também às conquistas históricas do nosso povo, que é nosso compromisso preservar.
Mas estes problemas do presente não podem ser nossa única tarefa. Hoje, o passo histórico que estamos dando está nos avanços que temos ajudado o País a fazer. Estamos buscando suas demandas, inclusive em cada estado, com a Câmara Itinerante, e fazendo das suas demandas a nossa luta.

Foi o povo que elegeu cada um dos 513 deputados da Câmara. É para o povo que vamos continuar trabalhando. Com independência, coragem, responsabilidade e eficiência.
Muito obrigado e boa noite."

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