Suspeito de matar criança em Jucurutu quase é linchado
População tentou fazer justiça com as próprias mãos ao cercar residência do homem e apedrejar viaturas e policiais
Postado em 16/08/2011 às 09:26 horas por Bruno Soares na sessão Cidades
Um crime bárbaro que deixou toda uma cidade de luto e uma população revoltada. A morte da menina Mylena Soares da Silva, 9 anos, que teve como laudo hemorragia interna provocada por espancamento, fato ocorrido na tarde de domingo, 14, Dia dos Pais, repercute em todo o estado.
Os pais da criança, o comerciante Rivaldo Soares, 42 anos, e a dona de casa Maria Margarida da Silva, 42 anos, completamente chocados com tamanha monstruosidade, e muito emocionados contaram em detalhes para a equipe de reportagem tudo o que aconteceu no dia da tragédia.
Segundo Rivaldo, o domingo era de festa. Por volta de meio dia, um almoço para comemorar o Dia dos Pais na casa de um tio onde todos da família se reuniram.
Rivaldo contou que participou da comemoração com a esposa e as três filhas, incluindo Mylena, a filha mais nova (vítima). Após terminar o almoço decidiu retornar para casa no bairro Freitas, em Jucurutu, porém, Mylena, pediu para ficar mais um pouco, como era de costume, na casa do tio e depois ia pra casa.
“Quando passava de 17h comecei a achar estranho porque ela nunca demorava tanto a voltar pra casa, então resolvi voltar à casa do meu tio e procurar por ela”, relatou.
O pai de Mylena disse que sentiu que algo estava errado, porque ninguém sabia dizer onde a menina estava. “Eu fui nas casas de meus familiares onde ela costumava ir e ninguém sabia dela. Mas, às 18h, tive uma notícia de uma criança que havia sido encontrada no Sítio Logradouro, zona rural de Jucurutu, com sinais de espancamento, e meu coração já me avisou que era ela, então fui até o hospital da cidade para onde haviam levado a criança”, detalhou.
Ao chegar ao Hospital Maternidade Dr. Carlindo Dantas, Rivaldo foi informado que a criança ferida, ainda sem identificação, havia sido transferida para o hospital de Caicó, mas ao chegar próximo à cidade de Florânia não resistiu aos ferimentos e morreu.
A partir da confirmação do óbito, o corpo da criança foi levado para o Instituto Técnico-científico de Polícia (ITEP) de Caicó onde foi examinada. A causa da morte exposta no laudo foi hemorragia interna provocada por espancamento.
CONFIRMAÇÃO
Ainda sem ter certeza que a criança morta era sua filha, Rivaldo disse que já sabia que era ela, porque quando ela foi encontrada agonizando no matagal no Sítio Logradouro, próximo ao corpo dela estavam várias figuras dos personagens da novela ‘Rebelde’, que Mylena colecionava.
“Quando me falaram das figurinhas sabia que era ela porque todo dia ela comprava essas figurinhas”, acrescentou Rivaldo. Porém, somente ao chegar ao Itep para fazer o reconhecimento, teve a certeza.
A mãe de Mylena disse ainda não acreditar em tanta crueldade. “Não acredito que fizeram isso com minha filha e não sei como vou viver sem a presença dela perto de mim. A única coisa que eu sei é que ela foi morta para não revelar quem agrediu ela e tudo que nós queremos é que a justiça seja feita”, desabafou.
SUSPEITA
O principal suspeito de ter espancado a menina Mylena até a morte é um tio dela, Alexandro de Melo, 35 anos, que negou a autoria do crime, mas apresentou duas versões para falar sobre o paradeiro da criança.
“Na tarde em que ele matou minha filha, ele (Alexandro) foi na minha casa duas vezes e isso não era comum, eu sei que quando foi na minha casa já havia matado a Mylena. Ele é um monstro e quero nunca mais ver ele na minha frente”, desabafou Rivaldo.
Outro ponto forte que pesa sobre o suspeito é que uma testemunha viu Alexandro dando carona para a menina Mylena em seu carro, da casa do tio, onde aconteceu o almoço do Dia dos Pais, em direção ao sítio onde horas depois foi encontrada agonizando.
“Eu acredito que ele tentou violentar ela e como não conseguiu, para que ela não contasse nada pra nós ele decidiu matar ela”, ressaltou Margarida (mãe).
POPULAÇÃO DE JUCURUTU TENTA LINCHAR ACUSADO
Com a notícia de que a polícia havia identificado um suspeito, rapidamente uma multidão se aglomerou na porta da residência de Sandro. Na manhã de ontem, aproximadamente duas mil pessoas cercaram a casa do suspeito, querendo apedrejá-lo.
A polícia chegou a montar um esquema de segurança para retirar o suspeito do local. Foi por volta das 9 horas, quando a situação estava fugindo ao controle, que os policiais resolveram transferir o suspeito para a Delegacia de Polícia Civil de Caicó.
No momento em que Sandro deixava sua casa para entrar em uma das viaturas, a população começou a jogar pedras contra ele.
A polícia teve que atirar várias vezes para o alto a fim de afastar a multidão, mas, mesmo assim, várias viaturas foram apedrejadas e danificadas.
Além das viaturas, alguns policiais foram atingidos por pedras atiradas pela população. Uma das vítimas foi o tenente-coronel do 6º BPM, Antônio Cipriano. Outro oficial atingido, desta vez com maiores consequências, foi o major Cardoso, que foi atendido na urgência do Hospital Regional do Seridó, em Caicó, com um corte na boca.
Na chegada à Delegacia de Polícia Civil em Caicó, Sandro desceu da viatura com colete a prova de bala e com um capacete. Em seu depoimento, ele continuou negando o crime.
Sandro é natural do Rio de Janeiro, e era casado com a irmã do pai da vítima. Sua esposa ficou surpresa com a notícia.
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